quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

'O problema está nos cursos de Direito ou o Exame da OAB é elaborado para reprovar?'

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A aplicação do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nos moldes atuais, está com dias contados se depender do futuro governo. As manifestações do próprio presidente eleito Jair Bolsonaro acerca da prova da OAB levantaram questionamentos sobre a qualidade do processo avaliativo para bacharéis em Direito.

Com olho no contexto jurídico, sobre a exclusão do exame, o site Justiça Em Foco conversou com Carlos Schneider, presidente da Associação Nacional dos Bacharéis em Direito (ANB). Schneider, que atua na reformulação da prova, ressalta como o exame prejudica o mercado de trabalho na área jurídica em todo o Brasil.

A seguir, trechos do bate-papo:

Por que a Associação Nacional de Bacharéis em Direito premiou o senador José Medeiros?

Carlos Schneider: A Associação Nacional dos Bacharéis em Direito escolhe todos os anos dois políticos em destaque. Agentes públicos que proferiram em causa dos bacharéis em Direito, por estarem excluídos do mercado de trabalho por conta do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Neste ano foram escolhidos o deputado federal Jair Messias Bolsonaro [eleito presidente da República], que recebeu o Certificado de Honra ao Mérito pelos seus discursos proferidos em Plenário da Câmara Federal.

Prestigiamos também o senador José Medeiros, devido sua atuação no projeto que prevê a extinção do Exame da OAB, nos termos como ele é aplicado hoje. Entendemos que o senador, no seu discurso de plenário, foi muito feliz por enfatizar aquilo que o bacharel vivencia na atualidade, aquele não inscrito na OAB. Este que estuda média cinco anos na faculdade, gastando fortunas, pagando financiamentos estudantis. E assim, o senador tem prestado relevante importância, em defesa do Direito ao exercício da profissão de advogado.

O bacharel em Direito sai da faculdade com o título de advogado. Ele faz o exame final na instituição de ensino, também o Trabalho de Conclusão de Curso. No outro dia, depois do momento em que ele cola grau, o certificado não tem valor algum. Ao se formar como médico, por exemplo, no outro dia o profissional já pode estar com o seu consultório aberto, trabalhando sob a regência do seu diploma.

A partir de 2019 haverá uma reformulação do Exame da OAB, defendida por figuras políticas que já se manifestaram contra o Exame da maneira como está?

Carlos Schneider: Sim, nós acreditamos. Em primeiro lugar porque nós temos um presidente que desde 2012 vem corriqueiramente se posicionando publicamente de maneira contrária ao exame no formato como ele é aplicado hoje. Vale ressaltar que não somos contrários a avaliação do ensino público, mas ele deve ser realizado durante o período de graduação, e não quando o bacharel já está com o seu diploma. Se o bacharel em Direito diplomado é submetido a um exame a posteriori para saber se tem qualificação, o seu diploma não tem valor algum.

Por isso, acreditamos que deve haver uma profunda modificação a partir do próximo ano nessa matéria do ensino superior. Creio que não apenas para a área do Direito, mas de todos os demais cursos de graduação, pois existe a necessidade de se tratar dessa mudança.

Hoje, qual é a estrutura que a ANB tem para combater ou reformular o Exame da OAB?  

Carlos Schneider: Contamos hoje com mais de 3 mil filiados, um número expressivo porque não são apenas os filiados que estão vinculados à ANB, mas também os seus familiares e amigos. Veja, o fato de se filiar a ANB não é apenas por entender que a prova é injusta ou não deveria ser aplicada. Muitos dos filiados já fizeram a prova uma, duas, três, quatro vezes e sabem que é uma prova mais difícil do que a própria magistratura.

O modelo atual não é um critério de avaliação. Quando se fala em conhecimentos, é preciso estabelecer os limites do conhecimento mínimo, que a OAB até hoje não soube delimitar: o que é mínimo e o que é máximo. Na verdade, não existe nem mínimo ou máximo no ensino, ou você sabe ou não sabe.

A estrutura que a ANB concede aos seus filiados e a todos que gravitam em torno dela, é emprestar socorro dessa matéria relacionada ao fim do Exame da OAB, além de auxiliar os agentes políticos na construção de uma nova consciência jurídica. Temos uma ampla estrutura de técnicos, de profissionais, próprios bacharéis em Direito com uma bagagem de conhecimento que podem emprestar o auxílio jurídico.

Especialistas, não apenas do Direito, avaliam que esse critério da OAB burocratiza o setor. A ANB também entende dessa maneira?

Carlos Schneider: Não, nós entendemos que o exame da ordem dos advogados do Brasil é um caça-níquel. Não tem nenhum concurso público que cobra R$ 250 para você fazer uma prova. Além disso, é uma reserva de mercado. É uma seleção de pessoas através da OAB, para ver quem pode e quem não pode ser advogado, algo desumano. E isso tem que ser estabelecido lá no início. Temos que nos atentar que o bacharel, quando entra na faculdade, ele sabe que tem cinco anos de estudo para cumprir, com uma ampla grade curricular.

O curso de Direito hoje é um dos cursos mais caros, depois de medicina. O estudante tem que fazer o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), além de dois anos de estágio. O TCC por si só é algo extremamente difícil. No final do curso ele recebe o seu diploma, para que? O que vale o diploma no dia seguinte? Nada. Então, nós entendemos que essa prova é seletiva, discriminatória, ela é excludente, não avalia, exclui o bacharel.

Agora, somos a favor que o ensino seja avaliado pelo MEC, sendo com ou sem a participação da OAB. E deve acontecer no processo que envolve o estágio, o estágio supervisionado. Ele [bacharel] pode ser supervisionado pelos advogados que são professores, pelos doutores que são professores, ou até pela própria OAB se ela tiver o interesse em participar do processo de formação. Se você avalia o Direito, tem que avaliar todos os outros cursos. Nenhuma outra graduação é avaliada de maneira semelhante ao Exame da OAB. Então, a isonomia é o processo que estamos buscando.

Autoridades avaliam que a importância do Exame de advogado é devido a profissão de advogado ter um impacto social muito relevante. Como a ANB se posiciona?

Carlos Schneider: Será que ela [advocacia] é mais importante do que a própria vida? Hoje não existe um curso mais importante do que outro. Um edifício mal construído ou mal calculado por um engenheiro pode matar quantas pessoas? Ao fazer uma cirurgia, um médico é menos importante do que um advogado? Ou seja, a minha vida vale mais do que a advocacia.

Na verdade, é o juiz quem vai dizer se uma peça [judicial], preparada pelo advogado, está mal elaborada, ou que está ruim. O advogado é apenas um meio, e não um fim porque ele elabora o trabalho jurídico e submete a avaliação do juiz.  O juiz é quem vai dizer se a peça está boa, se os argumentos empestados naquela causa são importantes e relevantes, não pode ser mais do que isso. Ele [ o advogado] é importante na representação da lei e da justiça, para a administração da justiça e não apenas para a Ordem dos Advogados do Brasil.

Como está o mercado de trabalho para o bacharel em Direito hoje?

Carlos Schneider: Quem seleciona o profissional hoje é o mercado de trabalho. Existe uma corrente dita pela Ordem dos Advogados do Brasil, afirmando que existem algo em torno de 2,5 milhões de bacharéis em Direito no mercado de trabalho sem inscrição, e estes não estariam aptos ao exercício da profissão.

Não é verdade e o que é dito sobre isso é uma grande farsa! Pedimos um expediente para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que nos informasse o índice de advogados formados em Direito despejados no mercado de trabalho nos últimos dez anos. O número não passou de 950 mil. Atualmente, pouco mais de 460 mil bacharéis em Direito não estão inscritos e fora do mercado de trabalho. Ou seja, esses dados da OAB são fictícios, criados apenas para o impressionismo. Vejo que há muito fogo em palha que se evapora e faz um estrago feio.

Em outra análise feita pela ANB, universidades renomadas no campo do Direito como a USP, a UFRGS, cerca de 70% dos estudantes reprovam na prova da OAB. Então, será que o problema está na universidade ou a prova é elaborada para reprovar? Se tem uma reprovação de até 20% é algo considerado normal. Mas se passar de 20%, o problema está na prova, e não no avaliado.

Precisa de uma reformulação no curso de direito como um todo?

Carlos Schneider: O exame da OAB, nos teores como está, não concordamos. Outro detalhe que chama muito a atenção é o preço cobrado, o valor de R$ 270 por exame para fazer a primeira e a segunda fase. Cerca de 80% são reprovados na primeira fase sem fazer a segunda fase, mas já pagaram pelo “pacote”. Isso não se caracteriza enriquecimento sem causa!? É retirar do bolso do coitado recém-formado que paga o Fies. Já acompanhei casos que infelizmente acabaram em suicídio, por conta dessa pressão psicológica provocada pelo exame da OAB. São muitas histórias que infelizmente tiveram esse fim trágico, sem os olhos das autoridades públicas sobre o assunto. É um tratamento desumano que não pode mais continuar.


Da redação (Justiça Em Foco) com Mário Benisti
Fonte: www.justicaemfoco.com.br

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

“Quer conhecer o caráter de uma pessoa? Dê a ela algum poder.”

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A Síndrome do Pequeno Poder é um transtorno de comportamento individual que mina as relações sociais e pode esfacelar qualquer chance de estabelecimento de convivência, em detrimento da satisfação de um indivíduo arrogante, autoritário e abusivo. 

Pessoas acometidas por essa Síndrome costumam ter auto estima extremamente prejudicada, sendo levadas a ter a necessidade de humilhar o outro na tentativa de cessar um sentimento de menos valia. Diminui-se o outro para se sentir maior. 

Esses indivíduos costumam viver inseridos em ambientes dentro dos quais não encontram lugar, sentem-se inferiores e, por causa disso, reagem agressivamente contra qualquer um que possa representar o mínimo questionamento à sua “autoridade”.

Autoridade é um bem que se conquista. É fruto do reconhecimento a uma habilidade desenvolvida, a um esforço empenhado, a um desempenho de papéis que explicita a competência. Autoridade depende da anuência do entorno. 

Já o autoritarismo é outra coisa. É a instauração de um poder à força. É a atitude agressiva que busca subjugar o outro. O autoritarismo nasce da incompetência, da falta de recursos para administrar conflitos.

Lidar com uma pessoa tomada pela Síndrome do Pequeno Poder é dificílimo. Essas pessoas têm uma enorme dificuldade em estabelecer limites de convivência. Uma vez que ela tenha enxergado no outro uma ameaça ao seu suposto poder, ela não medirá ações ou modos para fazer valer a sua ilusória “autoridade”. 

O poder verdadeiro emana do saber. Quanto mais sabemos sobre algo mais poder teremos sobre isso. E tudo o que estiver envolvido nesse saber depende do caráter ético e moral de quem o possui. Depende. Depende da importância social daquilo que se sabe, do que vai ser feito com esse saber; depende, ainda, de como e com quem esse conhecimento será partilhado.

 As relações de poder na atualidade constroem-se a partir de uma rede complexa de relações. O modelo de hierarquia sólida, que já funcionou tão bem em outros momentos históricos anteriores, hoje não funciona mais. Ainda bem! E o indivíduo com visões distorcidas de poder não conta com recursos para perceber e gerir essa mobilidade. 

O conhecimento foi incrivelmente democratizado, graças ao desenvolvimento tecnológico. Qualquer pessoa, dotada da capacidade de ler e compreender o que lê, tem acesso a uma infinita variedade de informações, sejam elas relevantes ou fúteis. Nunca foi tão fácil satisfazer uma curiosidade ou interesse de aprendizagem sobre o que quer que seja.

Esse acesso aberto ao conhecimento, no entanto, exige de nós uma dose muito maior de responsabilidade. Hoje precisamos ser agentes das decisões tomadas. O nosso fazer político, por exemplo… de nada nos adianta ter o poder de eleger nossos representantes se ainda teimamos em escolhê-los de forma irresponsável. 

Pensando numa esfera institucional menor que o Estado; uma empresa, por exemplo. Em qualquer empresa, ainda que vigore uma estrutura de cooperação, alguém precisa estar em uma posição de mediador das relações; precisa haver um líder que seja responsável por garantir que haja organização, equilíbrio e produtividade. Sem uma liderança que prese por valores e pelas necessidades coletivas, instaura-se o caos. 

E, uma vez instaurado o caos, todos ficam à deriva. O individualismo é o caos. Cada um pensando nos próprios interesses é o caos. A nossa natureza exploratória gerou o caos, numa crise ambiental sem precedentes. De tanto brincarmos de algozes, acabamos vítimas de nossa própria ambição desmedida. 

Estaria tudo perdido? Não haveria salvação para nossa “raça humana”? Há. E ela está em nossas mãos, mais concretamente do que nunca esteve. Precisamos entender o que representa exatamente esse tamanho poder. Precisamos ressignificar o nosso papel nas relações com o outro e com o mundo.

O poder é necessário para impulsionar mudanças, para vencer obstáculos. Sua natureza é de cunho transformador. O que vai modular esse poder é o caráter de quem o exerce. E não importa se o autor do comportamento abusivo é um líder  de governo, o segurança da balada, o pai de família ou um parceiro de trabalho. O abuso precisa ser detido. 

O abusador é alguém que faz mau uso do poder que tem, ou imagina ter. E, não raras vezes a única forma de fazê-lo parar é garantir que ele não tenha nenhuma chance de sequer pensar que pode mais que os outros. Nenhuma relação interpessoal pode basear-se em posturas de dominação e exploração. Infelizmente, em muitos casos não adianta insistir, porque para falta de caráter ainda não inventaram remédio. Nem adianta procurar no Google!


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Lei de Proteção de Dados: Consumidor não é obrigado a informar CPF nas compras


O Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) é um dos registros mais importantes dos consumidores. O número, atualmente, também tem sido utilizado como importante fonte de dados para diversos estabelecimentos que vendem todo o tipo de produto e serviço. A Associação de Consumidores (Proteste) lembrou que o número do cadastro tem sido solicitado insistentemente na hora de realizar as compras, com a oferta de programas de fidelidade ou futuros descontos em produtos. Mas, de acordo com a entidade de defesa do consumidor, o cliente deve ficar atento porque não é obrigado a fornecer esses dados e tem direito ao sigilo caso opte por não informar o CPF nas compras.
O uso indiscriminado de dados sensíveis atrelados ao CPF se prolifera no Brasil e preocupa as autoridades, na medida em que não é possível ter certeza quanto ao destino final dos dados, bem como o objetivo do pedido dos comerciantes.
Segundo a Proteste, recentemente o Ministério Público de Minas Gerais iniciou uma investigação para saber o que as farmácias estão fazendo com esses dados. A preocupação é se elas repassam as informações dos consumidores para empresas de planos de saúde, clínicas e de análise de crédito.

Lei de Proteção de Dados

Em agosto, foi sancionado a PLC 53/2018 que criou a primeira lei geral de proteção de dados pessoais no Brasil. A norma estabelece regras para coleta e tratamento de informações dos consumidores na hora de realizar uma compra.
A lei, dentre outras coisas, estabelece o consentimento do titular para qualquer tratamento de dado. Por isso, a Proteste alerta a obrigatoriedade do sigilo e lembra que informar o CPF nas compras deve ser uma escolha para se obter determinado desconto ou vantagem.
(Foto meramente ilustrativa, reprodução da internet)
(Fonte: extra.globo.com) e https://enviarsolucoes.jusbrasil.com.br/noticias/630219162/lei-de-protecao-de-dados-consumidor-nao-e-obrigado-a-informar-cpf-nas-compras?utm_campaign=newsletter-daily_20180927_7616&utm_medium=email&utm_source=newsletter

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

De quem é o rosto nas notas do Real?



Dinheiro na mão é vendaval”, como dizem por aí. Mas, por mais que sua grana não pare com você e esteja sempre voltando e voltando ao mercado, o tempo que o tão desejado dinheiro já ficou em suas mãos ao longo da vida deve ter sido suficiente para que você notasse que existe um rosto nas notas do Real. Não é verdade?
Mas, afinal, de quem é aquele rosto nas notas do Real? Se você também já se perguntou isso e nunca conseguiu decifrar nem sequer o gênero daquele rosto, a gente ajuda: o rosto nas notas do Real é de uma mulher.
De acordo com o Banco Central do Brasil, a tal moça se trata de um efígie simbólica, uma figura que representa a República. Inclusive, o rosto nas notas do Real foi inspirado na pintura Liberdade Guiando o Povo, do francês Eugène Delacroix.
Como no quadro, que você vê abaixo, a Liberdade (a República era vista dessa forma romântica na época) era representada por uma mulher. Essa, por sua vez, foi trazida para nossas cédulas não como uma pintura, mas como uma escultura. Porém, assim como na versão francesa, a tal moça é representada vestindo um barrete da liberdade, algo como um toca, usada como uniforme pelos republicanos da França, durante a queda da Bastilha.
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O rosto nas notas do Real e a maçonaria

Mas, segundo contam por aí, a simbologia ligada ao rosto nas notas do Real é ainda mais profunda. Isso porque a mulher do quadro que você viu acima é também conhecida como Marianne, um dos símbolos mais representativos da maçonaria. Aliás, para quem não sabe, os maçons são apontados como grandes apoiadores da Revolução Francesa, influenciando até o lema do acontecimento histórico “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
Assim, para representar essa luta pela liberdade, os maçons escolheram uma mulher que, mais tarde se tornou o rosto nas notas do Real brasileiro. Já, sobre o nome da beldade, seria uma junção entre os dois nomes femininos mais populares da França durante esse período histórico, Marie e Anne.
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Aliás, a tal da Marianne não se infiltrou somente no Brasil, nesse caso como o rosto nas notas do Real. Dizem que ela está representada também em um dos maiores símbolos dos Estados Unidos: a Estátua da Liberdade, em Nova York. Inclusive, a estátua foi um presente dos franceses aos americanos, em comemoração aos 100 anos da assinatura da Declaração da Independência do País.
Quanta coincidência, hein?

terça-feira, 24 de abril de 2018

Estou aprendendo a não reagir a tudo que me incomoda


Por Rania Naim do Thought Catalog

Eu estou aprendendo que não preciso machucar de volta quem me machucou. Às vezes, o sinal máximo de maturidade é virar as costas ao invés de pagar na mesma moeda. Eu estou aprendendo que a energia que eu gasto para reagir a cada coisa ruim que acontece me esgota e me impede de ver o lado bom da vida. Eu estou aprendendo que não posso agradar todo mundo, e isso é ok. Eu estou aprendendo que tentar ganhar a afeição de todo mundo é uma perda de tempo e de energia, e que me enche apenas de vazio.
Eu estou aprendendo que não reagir não significa que eu estou bem com as coisas, e sim que eu apenas estou lidando com elas. Eu estou escolhendo tirar isso como lição e aprender com a situação. Eu estou escolhendo ser melhor. Escolhendo a minha paz de espírito porque é o que eu realmente preciso. Não quero mais drama. Não preciso de ninguém me fazendo sentir que não sou boa o suficiente. Eu não preciso de brigas e discussões. Eu estou aprendendo que, de vez em quando, não dizer nada diz tudo.
Eu estou aprendendo que reagir ao que me faz mal dá poder para outra pessoa sobre as minhas emoções. Você não pode controlar o que os outros fazem, mas pode controlar como você responde, como você lida, como você interpreta e quanto disso você leva para o lado pessoal. Eu estou aprendendo que na maior parte do tempo, essas situações não dizem nada a respeito de mim, mas sim a respeito do outro. Eu estou aprendendo que talvez todas essas decepções são simplesmente para me ensinar a me amar, porque esse amor é a armadura e o escudo que eu preciso contra quem tenta me derrubar. É o que me salva quando alguém tenta diminuir minha confiança ou questionar o meu valor.
Eu estou aprendendo que mesmo que eu reaja, isso não vai mudar nada, não vai fazer ninguém me amar ou respeitar e não vai magicamente mudar a mente de ninguém. Às vezes é melhor simplesmente deixar estar, deixar pessoas irem, não lutar por fechamento, não pedir explicações, não procurar respostas e não esperar que alguém entenda a minha história. Eu estou aprendendo que a vida é melhor vivida quando eu não foco no que está acontecendo ao meu redor, e sim quando eu foco em mim mesma. Trabalhar em mim e na minha paz interior me faz perceber que não reagir a toda pequena coisa que me incomoda é o primeiro ingrediente para viver uma vida feliz e saudável.
Fonte: https://www.revistapazes.com/estou-aprendendo-nao-reagir-tudo-que-incomoda/. Acesso em 24 de abril 2018, as 09:08 hrs. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Psicopatas no trabalho: como identificar e como agir

Psicopatas corporativos usam suas disfunções como impulso na carreira empresarial, destruindo ambientes e carreiras enquanto sugam méritos pelos sucessos e passam adiante a culpa pelas suas falhas – saiba identificá-los e entenda como agir.

O psicopata usa, manipula e ilude. Ele não se importa com os danos que causa a outras pessoas, não consegue controlar seu próprio comportamento, e troca qualquer planejamento pela possibilidade de seguir seus impulsos. Por mais que pareça assustador e desconectado da realidade a todos os que o observam de perto, consegue transmitir uma imagem positiva e segura a quem o avalia sem proximidade1.
Psicopatas frequentemente buscam a sensação de poder e controle sobre os outros, e têm facilidade em se posicionar de forma agressiva na selva corporativa: são manipuladores, usam seu carisma e inteligência para apoiar o comportamento de intimidar e mentir sem o menor constrangimento, eis que não são guiados pela empatia e pelos conceitos morais de certo e errado.
No discurso do psicopata, sempre convincentemente genuíno, todas as culpas são claramente dos seus desafetos, todos os méritos são dele mesmo, e todos os integrantes da equipe têm desempenho inferior e interesses ocultos. Na hora de buscar se explicar a quem o investigue, o que o psicopata exige dos outros sempre pode ser caracterizado por ele como o comprometimento da equipe (se não com a estratégia da organização, ao menos com o posicionamento anteriormente declarado por algum superior na hierarquia) ou como a busca da excelência ou ainda, ironicamente, como a construção de um ambiente de trabalho mais harmonioso.
Os comportamentos permitem reconhecer as características comuns dos psicopatas corporativos
O cotidiano do psicopata é marcado por manipulações, dissimulações e traições, sempre em busca de vantagens pessoais e para o seu perverso prazer, conforme aponta a psicanalista Déborah Pimentel2.
Diagnosticar um psicopata, diferenciando-o de pessoas com outros comportamentos indesejados no ambiente de trabalho (como a mania de perseguição ou de se vitimizar) é tarefa para profissionais, mas a lista a seguir identifica várias das características mais evidentes que o psicopata corporativo exibe:

  1. Considerar-se referência do que há de melhor hoje no ambiente e do que já aconteceu no histórico da organização.
  2. Não sentir nem fingir culpa por seu comportamento e suas consequências, mas saber fingir remorso ou arrependimento quando lhe é conveniente.
  3. Evitar o registro de suas declarações, ordens e planos, para que possa mudar de discurso ao sabor da conveniência, evitando assumir a responsabilidade pelas suas orientações, e dificultando que seu desempenho possa ser medido de forma objetiva.
  4. Quando consultado, sempre "responder sem responder", de modo a não se comprometer com o resultado do que disser, nem evidenciar qualquer deficiência nos seus conhecimentos e habilidades.
  5. Manter segredos sobre assuntos triviais, e buscar controlar quais informações circulam entre as pessoas a seu redor.
  6. Presumir que o mundo gira ao seu redor, e assim os fatos negativos ocorrem como um ataque contra ele, e as vitórias ocorrem exclusivamente por causa dele.
  7. Tornar difusas as responsabilidades, de forma a que ele possa sempre se eximir da culpa por falhas, e ao mesmo tempo possa assumir a responsabilidade pelos sucessos.
  8. Considerar-se isento e imune às regras, sejam as formais ou as criadas por ele mesmo. Considera justificado tudo o que faz, seja pela finalidade ou pela circunstância.
É fácil identificar as características acima nos comportamentos em relação à equipe, superiores e subordinados, que podem incluir exemplos como estes:


  • Tratar os seus colegas como se estivessem um nível abaixo dele, e os subordinados como se fossem camponeses feudais.
  • Expor os membros da equipe a seus episódios de raiva, em que ridiculariza deficiências alheias para evitar expor as suas.
  • Desrespeitar a privacidade dos colegas, seja lendo e-mails e papeis, incomodando-os em horários impróprios, ou mesmo buscando interferir em suas atividades e relacionamentos pessoais.
  • Plantar a semente da discórdia e afastar-se, contando com a má qualidade do ambiente (criada por ele mesmo) para que a semente atinja o resultado pretendido.
  • Criar regras conforme sua conveniência, frequentemente em desacordo com as regras formais ou com seu discurso anterior.
  • Usar mentiras e distorções para danificar a reputação de colegas, subordinados e superiores.
  • Intimidar ameaçando, de forma direta ou velada, usar sua influência para prejudicar a imagem profissional dos colegas.
  • Estabelecer objetivos inalcançáveis e conflitantes, de forma que sirvam apenas para ter permanente justificativa para agir contra os outros, alegando ser em razão do baixo desempenho.
  • Atribuir grande importância a falhas mínimas, e deixar de reconhecer até mesmo os mais importantes sucessos da equipe.
  • Isolar as pessoas, fazendo com que se sintam excluídas, expostas e sem saber com quem contar.
Além disso, as atitudes do psicopata que revelam a atenção extrema à imagem que ele projetatambém ajudam a evidenciar as suas características, como nos exemplos abaixo:
  • Buscar interferir no que se divulga sobre ele.
  • Atribuir grande importância aos elogios que recebe.
  • Transformar todo feedback negativo em ofensa que deve ser respondida, "esclarecendo" que a responsabilidade não foi sua.
  • Falar muito sobre si mesmo, sempre se colocando na posição de responsável por tudo de positivo que existe, e como quem vai "dar um jeito" em tudo que considera errado ou imperfeito.
  • Evitar e rejeitar o reconhecimento de mérito a integrantes da sua equipe - os méritos são dele.
Quando o psicopata é identificado, geralmente já houve danos à equipe e não é fácil revertê-los.
Segundo John Clarke3, é mais comum encontrar os psicopatas corporativos nas empresas que estão passando por mudanças ou reestruturações, pois elas se tornam um ambiente propício para que o psicopata permaneça despercebido por um período de tempo maior.
Uma pessoa pode conviver por anos com um psicopata sem se dar conta disso, mas no momento em que se essa característica vêm à tona em um colega ou superior, frequentemente o profissional se descobre em uma encruzilhada, na qual tentar sair da posição de vítima ou de cúmplice (por omissão, geralmente) exige se expor a riscos e prejuízos dos quais o próprio psicopata calculou cuidadosamente para escapar.
O processo de identificar o colega ou superior psicopata pode ser lento, porque eles geralmente têm grande habilidade em fazer um jogo sutil no qual as investigações normais sempre apontam outros culpados e/ou responsáveis, e em que eles figuram apenas como vítimas, ou mesmo como as pessoas que tentaram evitar um mal maior.
O sucesso do psicopata corporativo depende de interferir nas informações que cada pessoa recebe, e de tornar confusas as responsabilidades individuais.
Quando o psicopata está em ação, tudo leva os colegas desinformados a terem solidariedade (ou mesmo piedade) pelo papel que ele exerce, inclusive porque ele mascara sua arrogância como se fosse mera autoconfiança, e a falta de escrúpulos como se fosse mero impulso de provocar mudanças.
Como um parasita que ataca o sistema nervoso, o psicopata corporativo procura posições em que pode filtrar quais informações chegam a cada membro da equipe ou superior, e interferir diretamente no comportamento de cada um deles, isolodamente, para que ninguém saiba com clareza quem é responsável pelo que, quem sabe de que, quem fez o que, e quem está ao seu lado – assim, o ambiente logo se transforma em uma enevoada conspiração.
Ao redor do psicopata corporativo, as vítimas ou peões de seu jogo não conseguem traçar o mapa completo das razões que causam cada vez mais membros da equipe amedrontados e sem iniciativa, com autoestima baixa, e se afastando com desconfiança de todos os demais colegas.
De acordo com John Clarke (op. cit.), é comum que as vítimas do psicopata corporativo apresentem efeitos como sensação de perda do controle de suas vidas e da confiança em si mesmas, questionamento sobre sua habilidade profissional, e episódios de pânico, depressão, ansiedade, distúrbios do sono, problemas de relacionamento interpessoal, abuso de álcool e drogas, etc.
Nesse tipo de situação, é difícil que algum indivíduo se convença a dar um basta. Nenhum colega sabe se é o único que está sofrendo, isoladamente, os efeitos que percebe. Cada pessoa perde a referência do que é percebido como normal pelos demais membros do grupo, e possivelmente deixa de perceber até mesmo que toda essa situação é arquitetada e impulsionada pelo psicopata que está manipulando o ambiente.
Não adianta tentar negociar para convencer um psicopata a deixar de agir conforme sua natureza.
A premissa de que a consciência, como a definimos vulgarmente, é algo que faz parte da condição humana nos leva à ilusão de que não possa existir alguém que não a possua, ou seja, de que possa existir um indivíduo sem remorso, sem culpa, sem escrúpulos e que não tenha consciência dos efeitos de suas atitudes na vida das pessoas. Ou pior ainda, ele sabe e não se importa com isso, pelo contrário, muitas vezes sente prazer quando percebe o sofrimento das pessoas ao seu redor, como comenta Valine Reinhardt4.
É preciso ter em mente que os apelos à razão e a usual prática de dar uma advertência discreta mas manter o profissional na posição que ocupa não resultarão em nada positivo quando se trata de um psicopata. Segundo John Clarke (op. cit.), a psicopatia "(...) é uma condição para a vida toda. É um distúrbio de personalidade; dessa forma, características são apresentadas constantemente por todos os aspectos da vida".
Estudos sobre os psicopatas violentos que são pegos após a prática de crimes já indicam que tentativas de reabilitação não mudam seu comportamento e podem tornar o problema maior para as vítimas, já que a experiência de como foi descoberto e de qual foi a consequência leva o psicopata a desenvolver e adaptar novas habilidades sociais, usadas para depois manipular as pessoas de forma ainda mais eficaz.
Ou seja: o psicopata não vai se emendar e, caso negocie uma maneira de se manter em sua posição, cedo ou tarde irá usá-la para repetir os mesmos comportamentos de antes, agora voltados também a afastar qualquer possibilidade de sucesso das pessoas que o contiveram antes e conhecem sua forma de agir.
Mais grave que isso: não se trata de uma condição mental em que a pessoa ignora as consequências de seus atos. Ainda segundo John Clarke, os psicopatas "(...) estão cientes dos efeitos que seus comportamentos têm em outros ao redor, mas simplesmente não se importam. Pior: muitos psicopatas gostam do sofrimento alheio".
Você pode se proteger de um psicopata corporativo, mesmo que seja difícil virar o jogo.
Tendo a certeza de que existe um caso de psicopatia na sua equipe, o comportamento ético ideal seria reunir as provas e denunciá-lo na confiança de que os canais competentes se encarregarão de removê-lo, mas nem sempre essa alternativa está ao alcance imediato sem incorrer exatamente nos riscos que o psicopata providenciou cuidadosamente para ficarem no caminho de quem "se meter com ele".
Outro comportamento ético seria afastar-se, movido da certeza de que continuar na equipe acabará por transformar você em vítima ou em cúmplice involuntário, pois tem conhecimento do comportamento profundamente incorreto do psicopata e nada fez a respeito. Neste caso, além do prejuízo pessoal por abrir mão de sua posição e ter de recomeçar em uma nova equipe e atividade, você também pode estar reforçando a posição de dominação que o psicopata busca construir para si.
Restam as situações de desagradável convivência, motivadas pela expectativa de que em algum momento será construída a oportunidade para remover da equipe o psicopata.
Saiba como agir durante a convivência se o psicopata em questão for:
  • Seu superior hierárquico: não o ameace, e evite fazer com que ele se sinta ameaçado por você, caso contrário você irá rapidamente para o topo da lista dos candidatos a vítima.
  • Seu colega: não tente testá-lo ou fazê-lo registrar por escrito o comportamento incorreto que ele adota. Os psicopatas são atentos a esse tipo de movimento e têm grande habilidade de fazer com que a culpa recaia sobre outras pessoas, portanto procure ficar fora do seu radar de vítimas, guarde seus próprios registros discretamente, e sempre recuse encobrir as ações dele, ou figurar como co-responsável por algo realizado sob o controle dele.
  • Seu subordinado: se você não tiver como afastá-lo da organização, ele rapidamente perceberá, e agirá contra você tentando enfraquecer a sua posição de liderança, que ele verá como um obstáculo cuja remoção está ao alcance. Não tente preparar armadilhas ou tentar fazer com que o psicopata produza provas contra si mesmo. Ao contrário, procure agir ao redor dele, minando as principais bases do seu impulso: mantenha abertos os canais de comunicação que ele tentará fechar, e mantenha claras as definições de responsabilidades que ele tentará confundir.
Em todos os casos, enquanto for durar a coexistência "pacífica", localize pontos em que haja convergência de interesses entre o psicopata e a equipe, e politicamente busque sempre enfatizá-los, e atuar preferencialmente neles.
John Clarke (op. cit.) recomenda que a vítima do psicopata corporativo registre tudo que acontece diretamente com ela, anotando detalhadamente (fato, local, data, testemunhas) as situações ocorridas e, antes de agir formalmente, consiga pessoas que possam assinar suas anotações como testemunhas. É comum o psicopata se negar a dar ordens por escrito, e por isso Clarke recomenda que, nos casos em que há relação hierárquica entre ele e a vítima, esta envie a ele um e-mail descrevendo as atividades que lhe foram delegadas e ao final, pedindo a ele uma resposta caso tenha alguma instrução diferente.
Saber o que não fazer pode ser tão importante quanto saber o que fazer
Em primeiro lugar, não caia na armadilha de sair acusando em público alguém de ser psicopataporque exibiu um conjunto dos comportamentos mencionados acima. Ele saberá, usará isso a seu favor, e contra você.
Para se preservar, não procure os canais competentes da sua organização para fazer a sua queixa sem antes ter certeza de que as suas provas são suficientes para remover o psicopata de uma só vez. Se necessário, procure orientação especializada (fora dos círculos da empresa) antes de agir.
Além disso, não faça nenhum comentário ou menção ao assunto enquanto houver colegas fascinados com o carisma do psicopata e a aparente capacidade que ele tem de sempre produzir resultados.
Finalmente, como recomenda Valine Reinhardt (op. cit.), é importante lembrar-se sempre de que todos podem ser enganados por um psicopata, e o único culpado da situação é o próprio, um ser vazio e insensível e com uma capacidade de manipulação incrível.



Fonte: https://efetividade.net/2014/04/psicopatas-no-trabalho-como-identificar-e-como-agir.html

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O PODER DO SORRISO

Você já sorriu hoje?
Você já fez alguém sorrir?

Melhore a sua vida e a vida do seu próximo com "apenas" um SORRISO...

Assista o vídeo abaixo e reflita como a vida é bela, só depende de nós (de você) - SORRIA!