quarta-feira, 18 de setembro de 2019

O que é a solidão?

Solidão: O que é, o que fazer ao se sentir sozinho e frases

Estar desconectado das pessoas à nossa volta causa danos biológicos, e nos traz a sensação de que não há lugar no mundo para nós

O que é a solidão?

A solidão é o sentimento de não pertencer ao mundo que nos cerca. Não conseguimos criar vínculos ou nos identificar com os outros. Entre as causas da solidão, estão a dificuldade para se relacionar com outras pessoas, medo de ser julgado e o vazio existencial.
É provável que você já tenha passado pela experiência de perder-se de seus pais no supermercado ou em alguma loja quando criança. A sensação nesses momentos é angustiante, pois nos sentimos vulneráveis, desamparados e acima de tudo, sozinhos. Entretanto, não é necessário perder-se de alguém para sentir este conjunto de emoções.
Verdade seja dita, são incontáveis os momentos onde nos sentimos desconectados de tudo que nos cerca e solitários em meio a multidão. Quando sentimos que ninguém pode nos entender e que não é possível conectar-se com as pessoas, estamos diante da solidão.
Em alguns casos a solidão pode acontecer por opção, o que configura um quadro de solitude. Porém, quando este sentimento se torna inerente a nossa existência e nos sentimos constantemente desamparados, trata-se de solidão.

Estar sozinho x solidão emocional

Muitos podem associar a condição a pessoas que vivem isoladas. Entretanto, você pode se sentir sozinho em um local repleto de pessoas. "A solidão está intimamente ligada à sentimentos de insatisfação, tristeza ou incompatibilidade com tudo o que nos cerca", explica a psicóloga Raquel Staerke.
Quando não encontramos pessoas que compartilham valores, escolhas ou preferências semelhantes às nossas, nos sentimos excluídos. É comum que sejamos diferentes, já que somos regidos pela subjetividade, característica de natureza particular.
Entretanto, quando essas diferenças não são respeitadas ou compreendidas, a solidão se torna um mecanismo de defesa para que possamos evitar mágoas ou frustrações.

Níveis de solidão

Para a psicóloga Adriana de Araújo, a intensidade da solidão também varia, podendo ser:
  • Leve: com presença de pensamentos negativos
  • Mediana: presença de pensamentos negativos que trazem sofrimento
  • Intensa: pensamentos negativos que trazem profundo sofrimento e a sensação de que não há esperança ou possibilidade de resolução.
Neste último caso, é necessário buscar ajuda de um especialista. Também é possível que a solidão surja como consequência de um evento externo, como o término de um relacionamento ou a morte de um ente querido.

O que pode causar a solidão?

Segundo Lia Clerot, a baixa autoestima, falta de confiança e distúrbios psicológicos como a depressão podem ser gatilhos que promovem a sensação de isolamento. "O convívio social também pode provocar a solidão, pois existe a possibilidade de frustração por não nos sentirmos parte de determinados grupos. Isto acontece principalmente entre os jovens", explica a especialista.
De acordo com dados de pesquisa realizada pelo Cigna, uma organização americana de serviços de saúde, indivíduos com 18 a 22 anos de idade são os que mais sofrem com a solidão.
Veja demais causas da solidão:

1 - Solidão por morar sozinho:

A psicóloga Adriana de Araújo também aponta que morar sozinho pode desencadear a solidão. De acordo com dados do IBGE, 9% dos lares no Brasil são formados por pessoas que moram sozinhas, o que equivale a aproximadamente vinte milhões de pessoas que estão vulneráveis a se sentirem isoladas.
"Quando não encontramos pessoas que compartilham ideias e valores semelhantes aos nossos, também podemos nos sentir solitários", explica a psicóloga.

2 - Solidão por mecanismo de defesa

Para cessar a possibilidade de julgamento externo, podemos recorrer a introversão e a busca da solidão para fugir de situações que nos causem desconforto. A psicóloga Milene Rosenthal explica que eventos sociais nos dão a impressão de que estamos expostos, pois o contato com outras pessoas nos obriga a estar em evidência.
"Isolando-se do convívio social, diminuímos as chances de sermos hostilizados, criticados ou julgados", diz a especialista.

3 - Solidão por insatisfação com os outros:

Todas relações interpessoais, sejam elas profissionais, amorosas ou fraternais, implicam na criação de expectativas. E para Raquel Staerke, quando estas expectativas mútuas não são expostas com clareza, ocorre o risco de termos frustrações.
A frustração causa sentimentos prejudiciais, e por isso, muitas pessoas isolam-se socialmente e emocionalmente como uma forma de autoproteção ou protesto. "O perigo está no período em que se permanece isolado. Uma longa fase de exclusão social pode ser um indicativo de depressão", alerta Raquel.

4 - Solidão por falta de identificação:

Quando nos deparamos com o diferente, é comum reagir com medo e estranheza. Segundo Raquel, o problema está na maneira que lidamos com isso: "Quando buscamos refúgio em nós mesmos para escapar das diferenças, podemos nos sentir sós diante do mundo", explica.
  • Solidão por morar sozinho
  • Solidão por insatisfação com os outros
  • Solidão por falta de identificação
  • Solidão por introspecção em excesso
  • Solidão por problemas emocionais.
Por sermos seres gregários, isto é, que apresentam tendência a estar um com os outros, o isolamento pode ser extremamente prejudicial. A necessidade de filiação e identificação social é inerente a quem somos, e quando isto não acontece, nos sentimos abandonados.
"A falta de identificação pode nos levar a pensar que não iremos conseguir pertencer a nenhuma rede de contatos", diz Raquel.

5 - Solidão por introspecção em excesso

Para Lia Clerot, quem é excessivamente introspectivo pode ter dificuldades em construir relações, o que pode ocasionar a solidão. O pensamento minucioso e a cautela no momento de sair da zona de conforto pode trazer o isolamento. "Quando isto causa mal estar, é preciso que mudemos nossas percepções de vida, pois algum pensamento não está adequado a nossa realidade", explica Adriana de Araújo.

6 - Solidão por problemas emocionais:

A solidão pode ser um efeito colateral de alguns distúrbios emocionais. Segundo o psicólogo Vitor Friary, quem tem depressão pode se distanciar de outras pessoas para evitar falar de seus problemas. "Algumas pessoas também sentem vergonha por terem dificuldades emocionais, e se isolam para manter isso em segredo", explica o especialista.
Já em casos de ansiedade e fobia social, a solidão pode ser consequência do medo de ser julgado. Para Vitor, uma baixa autoestima também pode tornar as pessoas solitárias. "Ao sentir que somos inferiores e com pouco valor, acreditamos que não poderemos fazer parte de círculos sociais", afirma.
Milene Rosenthal reitera que a preferência em ficar sozinho torna-se um fator de risco quando afeta o nosso desempenho no dia a dia. "Quando a pessoa não tem mais vontade de fazer as coisas que fazia antes, não quer conversar sobre sua vida e fica a maior parte do tempo isolada, há chances de haver um grave transtorno emocional em andamento", diz a especialista.

Malefícios da solidão:

Segundo Lia Clerot, a solidão pode estar associada a algumas deficiências hormonais no cérebro. Ela pode potencializar nossos níveis de cortisol, causando estresse. Já a quantidade de adrenalina e serotonina é reduzida no corpo, podendo afetar diretamente o sistema imunológico, o que pode provocar doenças.
A longo prazo pode causar alterações nos níveis de açúcar no sangue, insônia e distúrbios psíquicos, como a ansiedade e a depressão.

Solidão: Quando ela se torna um problema?

Adriana de Araújo explica que a solidão se torna um problema quando não conseguimos ficar bem sozinhos. Com isto, nos tornamos emocionalmente dependentes, precisando ter alguém por perto que possa nos trazer bem estar.
"Essa dependência é destrutiva para a nossa liberdade e leveza emocional. Ser ou estar introspectivo por um tempo não é problema. Mas estar sempre assim nos torna inflexíveis, com pouca capacidade de mudança e adaptação, o que nos traz sofrimento, mal estar e a sensação de peso na vida", explica Adriana.

Qual a diferença entre solidão e solitude?

A solidão é classificada como um estado emocional negativo, em que a pessoa sente-se sozinha, isolada. Segundo Lia Clerot, a solitude tem um significado oposto, positivo. Nesse caso, o indivíduo quer estar sozinho, cultivando sua particularidade e pensando em seu desenvolvimento.
A solitude implica na escolha consciente de estar sozinho. Já uma pessoa solitária não tem essa opção. "O isolamento ocorre por dificuldades em se relacionar", explica a especialista. Reservar um tempo para si e afastar-se do convívio social pode nos fazer mergulhar em um mar de introspecção, proporcionando novas descobertas sobre quem somos.
"Quando não associada à tristeza, a solidão pode ser um momento para refletir, cuidar de si e da mente. É importante estar só", diz Lia Clerot.

Como aprender a lidar com a solidão?

É inevitável que nós estejamos sozinhos em algum momento de nossas vidas. Entretanto, esta realidade não deve ser sinônimo de tristeza. Para o filósofo Friedrich Nietzsche, o isolamento deve ser encarado como um estado restaurador. É como um momento que temos para sermos quem somos em essência, sem nos adaptar a sociedade.
Segundo Lia Clerot, é importante que mantenhamos contato com amigos e familiares, pois a interação com outras pessoas traz benefícios para a saúde mental. Porém, quando isto não for possível, é necessário readaptar nossas percepções acerca da solidão.
"Estar só implica em um momento para cuidar de si, de projetos, da mente", afirma a especialista. Caso não seja possível ressignificar a solidão em momentos de mal-estar, você também pode focar em fazer aquilo que ama.
"Praticar hobbies, manter-se perto de outras pessoas e buscar amigos que compartilhem de interesses semelhantes aos seus pode ajudar", aponta Lia.

Por que temos medo da solidão?

Adriana de Araújo aponta que o medo de estar sozinho está intimamente ligado a nossa percepção de quem somos. Quando sentimos que não somos capazes de cuidar de nós mesmos, é possível experienciar angústia ao refletir sobre a solidão.
A baixa autoestima pode nos fazer acreditar que se estivermos sozinhos, estaremos incompletos. Para a psicóloga, essa dependência apenas reduz nossa confiança e bem estar geral.
Lia Clerot explica que o medo da solidão também carrega um sentido evolutivo, visto que nossos ancestrais pré-históricos precisavam ficar em estado de alerta ao estarem sozinhos, como uma forma de se proteger de ataques.

Como superar o sentimento de solidão?

Normalmente quem está solitário encontra-se em um estado de tristeza, sem energias e motivações para interagir com outras pessoas. Entretanto, segundo Lia, é importante entrar em contato com o próximo, mesmo que não haja vontade.
Adriana de Araújo recomenda treinar nossa paciência em relação às diferenças alheias. Realizar atividades de interesse coletivo, como trabalhos voluntários, também podem ajudar a reduzir a solidão, já que estas criam a sensação de pertencimento a uma causa comum.
Inscrever-se para alguma atividade que represente seus interesses também pode fazer com que você se sinta parte de algo, tornando a sensação de isolamento menos presente.

Tratamentos para a solidão

1 - Psicoterapia
A psicoterapia é o tratamento mais indicado para quem sofre com a solidão. "Através dela é possível estimular a inserção cultural, aumentar a autoestima, a autoconfiança e o autoconhecimento. O tratamento torna a pessoa mais confiante para interagir com outros", afirma Lia Clerot.
Adriana de Araújo explica que a psicoterapia também auxilia na identificação das causas que levam a solidão, assim como a solução mais adequada. "Todos nós temos um lado mais e menos sociável. Ser capaz de entender quando, como e onde somos mais de um jeito que do outro faz toda a diferença", afirma a especialista.

2 - Animais de estimação

O animal de estimação é uma presença física constante, o que pode reduzir a sensação de solidão. "Além disso, eles demonstram e retribuem afeto, o que para o ser humano solitário é muito importante", diz Lia Clerot.
Segundo Adriana de Araújo, os animais se tornam uma companhia para as pessoas quando há interação frequente entre os dois, além de uma relação que envolve cuidado, brincadeiras e atividades fixas, como levar o cachorro para dar um passeio.

3 - Mudança de comportamentos

Adriana aconselha que a pessoa solitária evite ficar sozinha, até o momento que se sentir confortável para aproveitar a si. Ser seletivo com os lugares e as pessoas também pode ajudar. Procure frequentar locais que estejam conectados com suas paixões. A possibilidade de encontrar outros indivíduos com valores semelhantes é maior.

Como acolher uma pessoa que está solitária?

Imagine pensar em seus piores momentos que não há ajuda para você. Pode ser uma experiência dolorosa olhar o mundo a nossa volta e perceber que todos possuem suporte, menos nós. Se você não se identifica com essa realidade, pode conhecer alguém que pensa dessa forma.
Para Adriana de Araújo, o primeiro passo para acolher uma pessoa que vive uma realidade solitária é estar presente, disponibilizando seu tempo para apenas ouvir o que o outro tem a dizer.
"É preciso mostrar apoio e empatia quando alguém o procura para desabafar. Mostre interesse na situação, já que muitas vezes a vítima ouve conselhos como 'ignore' ou 'deixe para lá'", explica Lia Clerot. Afirmações vagas podem fazer com que o próximo se sinta ainda menos compreendido.
Adriana de Araújo reitera que é imprescindível motivar quem sofre de solidão a procurar ajuda profissional em casos mais graves.

Solidão em centros urbanos

A vida urbana nos faz conviver com centenas de pessoas diariamente. Entretanto, isto não significa que nós construímos laços com todos que encontramos. A realidade é que, na maioria das vezes, realizamos apenas contato visual com as pessoas ao nosso redor.
Segundo Raquel, o ritmo de nossa rotina é marcado pela urgência da sobrevivência. Temos a sensação de que estamos sempre atrasados. Além disso, as tecnologias também alteram a forma que administramos nosso tempo, nos fazendo entrar em colapso.
"O tempo tecnológico e o tempo subjetivo são diferentes", afirma a especialista. Com um ritmo acelerado, aprofundar-se nas relações interpessoais se torna uma tarefa difícil. Uma das consequências deste fenômeno é a solidão.
Para Raquel, a proliferação de grupos virtuais pode ser um reflexo do momento que vivemos: "Aprofundar-se nas relações pode ser um excelente antídoto para a depressão e a sensação de solidão", diz.
Nossos pensamentos possuem um grande poder transformador. Pensando nisso, separamos algumas afirmações de pessoas que exteriorizaram suas reflexões acerca da solidão. As frases a seguir podem trazer esperança e aprendizados em momentos de sofrimento:
1. "A imaginação é a nossa melhor amiga contra a solidão".
2. "Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".
-Clarice Lispector
3. "A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais".
-Arthur Schopenhauer
4. "Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade".
-Paul Valéry
5. "Solidão: um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada".
-Josh Billings

Fontes:

  • Raquel Staerke, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa
  • Psicólogo Vitor Friary
  • Milene Rosenthal, psicóloga e fundadora da TelaVita
  • Lia Clerot, psicóloga especializada em Terapia Familiar Sistêmica
  • Adriana de Araújo, psicóloga especializada em Hipnose Ericksoniana, programação neurolinguística e Novo Código da PNL.

Santo do dia 18.09 - São José de Cupertino


O santo de hoje nasceu num estábulo, a exemplo de Jesus, em Cupertino, no reino de Nápoles, a 17 de junho de 1603. Filho de pais pobres, tornou-se um pobre que enriqueceu a Igreja com sua santidade de vida.
José quando menino era a tal ponto limitado na inteligência que pouco aprendia e apresentava dificuldades nos trabalhos manuais, porém, de maneira extraordinária progrediu no campo da oração e da caridade.
São José foi despedido de dois conventos franciscanos por não conseguir corresponder aos ofícios e serviços comuns. Ele, porém, não desistia de recomendar sua causa a Santíssima Virgem, pela qual tinha sido anteriormente curado de uma grave e misteriosa enfermidade.
O poder da oração levou São José de Cupertino para o convento franciscano e ao sacerdócio, precisando para isso que a Graça suprisse as falhas da natureza. Desde então, manifestavam-se nele, fenômenos místicos acompanhados de curas milagrosas, que o tornou conhecido e procurado em toda a região.
Dentre os acontecimentos espirituais o que muito se destacou foi o êxtase, que consiste naquele estado de elevação da alma ao plano sobrenatural, onde a pessoa fica momentaneamente desapegada dos sentidos e entregue totalmente numa contemplação daquilo que é Divino.
São José era tão sensível a esta realidade espiritual, que isto acontecia durante a Santa Missa, quando rezava com os Salmos e em outros momentos escolhidos por Deus; somente num dos conventos onde viveu 17 anos, seus irmãos presenciaram cerca de 70 êxtases do santo. A fama das curas milagrosas se alastrava como uma epidemia, exaltando a imaginação popular, e obrigando o Frei José, a ser transferido de convento para convento. Mas, os fenômenos se repetiam e o povo lhe tirava todo o sossego.
Como na vida da maioria dos santos não faltaram línguas caluniosas que, interpretando mal esta popularidade atribuiu-lhe poderes demoníacos aos seus milagres e êxtases, ao ponto de denunciarem o santo Frei ao Tribunal da Inquisição de Nápoles. O processo terminou reconhecendo a inocência do religioso, impondo-lhe, porém, a reclusão obrigatória e a transferência para conventos afastados.
Depois de sofrer muito e de diversas maneiras, predisse o lugar e o tempo de sua morte, que aconteceu em 18 de setembro de 1663, contando com sessenta anos de humilde testemunho e docilidade aos Carismas do Espírito Santo.
Foi beatificado por Bento XIV em 1753 e canonizado por Clemente XIII em 1767.
São José de Cupertino, rogai por nós!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

SÃO FELIPE NERI


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Nascido em 21 de julho de 1515, em San Pier Gattolino, próximo à cidade de Florença (Firenze, em italiano), Pippo il Buono, como era chamado, cresceu durante um período em que a Igreja fora atingida por uma forte mentalidade pagã. A corrupção do poder político não poupara nem o trono de São Pedro, desolado pela eleição de um sucessor impiedoso e indigno da herança apostólica: o Papa Alexandre VI († 1503). Como reação a esses abusos, surgiu na região um frade dominicano de nome Girolamo Savonarola († 1498), cuja pregação inflamada contra o Papa e a poderosa família Médici rendeu-lhe uma excomunhão e a condenação à morte na forca. Apesar do fim trágico, Savonarola conquistou muitos adeptos na região de Florença, entre os quais estava a família de Felipe Neri. O "santo da alegria" sempre admirou o religioso dominicano, chegando a tê-lo como um santo, ainda que sua personalidade fosse muito distinta da dele. (De fato, enquanto Savonarola, para reformar a Igreja, trilhou o caminho da denúncia e da contestação na pregação, Felipe se serviu da via da doçura e da direção espiritual através do sacramento da Penitência.)
Tendo ido à região de Monte Cassino, ao sul de Roma, para administrar os negócios de um parente, Felipe é influenciado pelos monges beneditinos e passa por sua "conversão" de jovem rico (cf. Mt 19, 16-30), pela qual decide largar tudo e entregar-se a Deus. Ainda como leigo, ele viaja à Cidade Eterna, começando a viver como eremita, com orações, penitências e constantes peregrinações. Foi ele quem deu início ao hábito conhecido como Giro delle Sette Chiese – a "Peregrinação das Sete Igrejas" –, entre as quais a sua preferida era a Basílica de São Sebastião das Catacumbas. Acolhido no seio de uma família romana, ele ajudou-a a criar os seus dois filhos homens, que depois se tornaram sacerdotes.
Leigo de intensa contemplação e vida ascética, Felipe comparava a sua vida à dos santos padres do deserto, pois, assim como São Bento escreve em sua Regra [1], tinha tomado "como que de assalto" (arripiunt) a vida espiritual, fazendo violência para alcançar o Reino dos céus
Em 1544, com quase 30 anos, Felipe tem uma experiência extraordinária na vigília de Pentecostes. Enquanto reza nas catacumbas de São Sebastião, ele recebe uma grande efusão do Espírito Santo: vê entrar dentro de sua boca uma bola de fogo, a qual faz arder o seu coração e aumentá-lo consideravelmente de tamanho. De fato, uma autópsia de seu corpo revelou que o seu músculo cardíaco era maior do que o comum, tendo chegado a deslocar duas costelas para acomodar-se. Quem convivia com o santo florentino atestava uma protuberância no lugar do seu órgão vital e testemunhava que, quando ele, sentado, começava a ensinar aos filhos do seu Oratório, tal era o seu entusiasmo, que o seu coração tremia a ponto de o banco em que estava trepidar e a sala em que se reuniam tremer.
Mesmo sendo celibatário, o humilde Felipe não aspirava ao sacerdócio, pois o considerava um ministério muito grande para si. Todavia, obediente a seu confessor, o padre Persiano Rosa, Felipe recebeu em 1551 o sacramento da Ordem, transferindo-se, desde então, à igreja romana de San Girolamo della Carità ("São Jerônimo da Caridade"), onde deu início aos primeiros Oratórios.
Diferentemente do que é posto no filme Preferisco il Paradiso, os Oratórios não começaram com crianças, mas eram feitos em sua maioria com adultos. As reuniões de espiritualidade conduzidas pelo santo não eram "anti-intelectualistas" ou avessas ao estudo, como pinta a produção italiana, mas continham reflexões sérias e profundas, extraídas da própria sabedoria que ele adquiriu ao longo de sua vida, bem como de seus estudos universitários e do conhecimento que tinha da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, a qual ele folheava com certa frequência. A trilha sonora do filme também não corresponde exatamente às músicas tocadas nas reuniões do Oratório, as quais estão mais ligadas à beleza de uma Missa Papae Marceli, a famosa composição de Giovanni Pierluigi de Palestrina.
A fervorosa vida sacerdotal de Felipe deu-lhe o epíteto de "apóstolo de Roma". Tendo o hábito de celebrar a Santa Missa por volta do meio-dia, o santo ficava em jejum desde a meia-noite do dia anterior, para que pudesse comungar [3]. Sempre disponível para atender as confissões de seus filhos, pouco a pouco Felipe foi transformando a devassa e paganizada cidade de Roma e contribuindo para a restauração da Igreja. Tendo entrado em contato com Santo Inácio de Loyola, Felipe chegou a sondar a possibilidade de entrar para a Companhia de Jesus e evangelizar a região das Índias. Um monge cisterciense, porém, recebeu uma revelação de Deus, na qual Ele dizia que a sua Índia era mesmo a Cidade Eterna.
Ali, o seu trabalho de evangelização começou a engendrar vocações.
Uma delas foi a do piedoso César Barônio († 1607), sobre o qual escreve Daniel-Rops:
"Também cardeal, era oratoriano, filho espiritual de São Filipe Neri, que lhe propôs que refutasse as ideias protestantes no campo histórico. Os seus Anais Eclesiásticos, em que tratou do desenrolar do passado cristão, empenhando-se em fixar com exatidão a data de todos os fatos essenciais, estabelecendo os acontecimentos com base em documentos incontestáveis, constituíram uma obra monumental que demorou cerca de trina anos a ser escrita e à qual a História deve gratidão. Profundamente honesto, este antepassado da crítica histórica pensava que se presta 'mais serviço à Igreja sepultando no silêncio fatos supostamente gloriosos para ela, mas não comprovados, do que sustentando fatos inexatos ou falsos'; as suas pesquisas nos arquivos pontifícios mostram-se muito adiantadas em relação aos métodos da época. Barônio pode ter-se enganado em muitos pontos, mas a sua honestidade tem valor de exemplo, e a sua obra fornece também aos católicos um completo e pacífico arsenal de argumentos e de refutações." [4]
Além dos três usuais votos religiosos, o padre Barônio tinha professado um quarto: o de humildade. Laureado in utroque iure – isto é, em direito civil e canônico – ainda como leigo, em um ato de grande desprezo, ele tomou o seu diploma, cortou-o em vários pedaços e passou a usá-los como marcadores de páginas. Para mortificar a sua vaidade, Felipe impunha-lhe inúmeras humilhações, as quais, no dizer do beato Paulo VI, teriam sido suficientes para fazê-lo santo. Quando os Annales de Barônio começaram a fazer sucesso, por exemplo, Felipe dava-lhe uma penitência por cada exemplar seu que era vendido.
Após a morte de seu pai espiritual, ofereceram a Barônio a honra do cardinalato. Sabendo que, por humildade, aquele filho de Felipe certamente recusaria a púrpura, o Papa Clemente VIII obrigou-o a aceitar o chapéu cardinalício, sob pena de excomunhão. Fê-lo porque conhecia o espírito de desapego do fundador dos oratorianos, o qual, tendo encontrado por duas vezes a ocasião de tornar-se cardeal, recusou terminantemente esse ofício. "Preferisco il paradiso – Eu prefiro o paraíso", teria respondido Felipe ao Sumo Pontífice, indicando que é preciso antepor o Céu a todas e quaisquer honras humanas.
Frequentemente assaltado por arroubos místicos, Felipe Neri sempre chamava alguém para rezar consigo a Liturgia das Horas, para que não entrasse em êxtase. De profunda espiritualidade eucarística, celebrava a sua Missa com notável piedade. Era também um homem de grande pureza de coração. Vários de seus confidentes dão testemunho de sua virgindade, fruto de uma luta ferrenha contra todas as ocasiões de pecado, pois, dizia ele, em matéria de pureza, só vence quem é "velhaco", ou seja, quem foge [5]. Ele próprio transmitia essa força na luta contra a impureza a seus filhos: tão logo eles repousavam a cabeça em seu peito e entravam em contato com o seu amoroso coração, passavam meses sem tentações sexuais.
Durante o pontificado de São Pio V, por sua fama de santidade, Felipe teve que lidar com desafetos dentro da própria Igreja. Um famoso cardeal da ilha de Ísquia, Virgilio Rosario, investigava o sacerdote florentino e lançava-lhe toda sorte de calúnias. Felipe, por sua vez, via na perseguição um instrumento da providência divina para crescer em humildade e santidade.
De fato, Deus operava inúmeros prodígios pelas mãos de Seu servo. De todos os milagres que fez, o maior de todos foi a ressurreição do jovem Paolo Massimo. O rapaz, filho de uma importante família italiana, padecia há muito de uma grave enfermidade. No dia 16 de março de 1583, o padre Felipe – que tinha manifestado o desejo de assisti-lo à hora de sua morte – acabou chegando tarde. Como quem levanta de uma noite de sono, no entanto, tão logo Felipe chamou o seu nome, Paolo despertou e, depois de receber os últimos Sacramentos, voltou a morrer.
A 26 de maio, a santa alma de Felipe Neri também encontrou o seu descanso, na solenidade de Corpus Domini de 1595. A sua canonização não demorou muito para acontecer: em 1622, juntamente com Santa Teresa de Ávila e Santo Inácio de Loyola, o sacerdote italiano foi elevado à honra dos altares.
Sua obra, humanamente falando, não foi esplendorosa como a da Companhia de Jesus, mas o bem espiritual que fez foi tão grande, que seu minúsculo Oratório pode muito bem ser chamado de "fábrica de santos".
A grande mensagem da vida de São Felipe Neri é, sem dúvida, a sua pregação pela santidade e por um amor sem medidas a Deus [6]. Dizia ele que "não é soberba o querer passar em santidade os Santos: porque o desejar ser santo é um desejo de querer amar e honrar a Deus sobre todas as coisas, e esse desejo, se fosse possível, dever-se-ia estender até o infinito, porque Deus é digno de uma honra infinita" [7]. A exemplo de São Felipe, portanto, tomemos de assalto a vida espiritual e amemos desmesuradamente a Deus, de todo o coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças (cf. Dt 6, 5). Que, do Céu, ele nos ajude a alcançar "a estatura do Cristo em sua plenitude" (Ef 4, 13).

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Santo do dia: São Guido

  • São Guido de Anderlecht

    Dia 12 de Setembro é dia de São Guido de Anderlecht, você conhece essa história?
    Santo do dia 12 de Setembro
    São Guido de Anderlecht desde muito jovem soube que tinha vocação para a vida sacerdotal. Era muito desapegado e ainda na juventude doou aos pobres tudo o que tinha e ganhava.
    Levou uma vida de peregrinação, religiosidade e auxílio aos pobres, tendo grande influência principalmente entre os sacristões, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. 
    É o padroeiro dos cocheiros, em especial dos cavalos. 
    Tradicionalmente celebrada em 12 de setembro, sua festa litúrgica é muito popular e intensa. Na cidade de  Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma bênção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Valor aos Humildes


Valor aos Humildes

Durante meu primeiro ano da faculdade, nosso professor nos deu um questionário.
Eu era bom aluno e respondi rápido todas as questões até chegar a última:
"Qual o primeiro nome da mulher que faz a limpeza da escola?".
Sinceramente, isso parecia uma piada. Eu já tinha visto a tal mulher várias vezes.
Ela era alta, cabelo escuro, lá pelos seus 50 anos, mas como eu ia saber o primeiro nome dela?
Eu entreguei meu teste deixando essa questão em branco e um pouco antes da aula terminar, um aluno perguntou se a última pergunta do teste ia contar na nota.
"É claro!", respondeu o professor. "Na sua carreira, você encontrará muitas pessoas.
Todas têm seu grau de importância. Elas merecem sua atenção mesmo que seja com um simples sorriso ou um simples "alô".
Eu nunca mais esqueci essa lição e também acabei aprendendo que o primeiro nome dela era Dorothy.
Obs.: Você pode e deve ser importante, mas o mais importante é o respeito ao próximo e o valor que você dá aos humildes.

Autor desconhecido

Santo do dia: São João Gabriel Perboyre


João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Mongesty (França), numa família de agricultores, numerosa e profundamente cristã. Era o primeiro dos oito filhos do casal, sendo educado para seguir a profissão do pai. Mas o menino era muito piedoso, demonstrando desde a infância sua vocação religiosa. Assim, aos quatorze anos, junto com dois de seus irmãos, Luís e Tiago, decidiu seguir o exemplo do seu tio Jacques Perboyre, que era sacerdote.
Ingressou na Congregação da missão fundada por São Vicente de Paulo para tornar-se um padre vicentino ou lazarista, como também são chamados os sacerdotes desta Ordem. João Gabriel recebeu a ordenação sacerdotal em 1826. Ficou alguns anos em Paris, como professor e diretor nos seminários vicentinos. Porém seu desejo era ser um missionário na China, onde os vicentinos atuavam e onde, recentemente, Padre Clet fora martirizado.
Em 1832, seu irmão, Padre Luís foi designado para lá. Mas ele morreu em pleno mar, antes de chegar nas Missões na China. Foi assim que João Gabriel pediu para substituí-lo. Foi atendido e, três anos depois, em 1835, chegou em Macau, deixando assim registrado: “Eis-me aqui. Bendito o Senhor que me guiou e trouxe”.
Na Missão, aprendeu a disfarçar-se de chinês, porque a presença de estrangeiros era proibida por lei. Estudou o idioma e os costumes e seguiu para ser missionário nas dioceses Ho-Nan e Hou-Pé. Entretanto foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e estrangulado, no dia 11 de setembro de 1840.
Beatificado em 1889, João Gabriel Perboyre foi proclamado santo pelo Papa João Paulo II em 1996. Festejado no dia de sua morte, tornou-se o primeiro missionário da China a ser declarado santo pela Igreja.
São João Gabriel Perboyre, rogai por nós!

terça-feira, 16 de julho de 2019

Acaba o mundo, mas não acabam as pirâmides financeiras!

Já há tempos que existe o famoso ditado “dinheiro de trouxa é matula de malandro”, e, tão antigo como é esse ditado é o velho e conhecido golpe e crime da pirâmide financeira.
Basta que surja alguém prometendo lucros exagerados, 10%, 20%, 30%, 40% e até 100% do capital “investido” em pouquíssimo tempo, e pronto, não faltam candidatos a novos “ricos”.
Se você não caiu nesse golpe, é bem possível que conheça alguém que foi fisgado por ele.
Bom, primeiro vamos entender o que é uma pirâmide financeira, qual é a diferença de pirâmide financeira com Marketing multinível, se é ou não é crime formar pirâmides financeiras e como não cair no golpe das pirâmides financeiras.
Primeiro, a Pirâmide financeira, também conhecida como a “Pirâmide de Ponzi” é um sistema não sustentável que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas cobrando uma taxa de entrada para a manutenção do modelo, a níveis insustentáveis.
Vou exemplificar o funcionamento, eu crio o sistema, prometo pagar 10% ao mês de lucros, estou no primeiro nível, convido 10 pessoas que entrem com R$ 10 mil reais, já tenho R$ 100 mil reais.
Cada uma das pessoas que eu recrutei, colocam mais 10 pessoas no terceiro nível pagando R$ 10 mil reais, já temos um capital de R$ 1 milhão e cem mil reais.
Feito isso, vou ao segundo nível e pago os 10% prometidos a cada um, ou seja, gasto R$ 1 mil reais para cada um deles, e as pessoas que receberam, são convidados a “reinvestirem” e o fazem, e pior saem divulgando os lucros e a pirâmide começa a crescer.
Cuidado, quem rir não vai pro céu!
Mas, veja que o dinheiro não foi investido em nada a não se aumentar o patrimônio de quem criou a pirâmide que em breve irá desaparecer do mapa.
Não existe almoço grátis, menos ainda dinheiro. Dinheiro é difícil.
O descaramento de algumas pirâmides é tão grande que fazem um contrato informando que o valor que foi recebido será devolvido com 40% de lucro.
Não existe dinheiro fácil. Aqui você está avisado, não adianta chorar depois.
Os “inocentes” trocam um papel valioso, a cédula, por um podre o tal do contrato, ou qualquer documento que lhe ofertarem.
Alguns ainda anunciam que o contrato está registrado em cartório! Os néscios pensam que isso tem algum valor, como se o cartório fosse garantia de alguma coisa.
É como o político que faz promessa absurda, reconhece firma, e diz que registrou em cartório. Muda o que? Registro em cartório não é Lei, se bem que nem a Lei anda valendo muita coisa.
Povo, registro em cartório só serve pra dar publicidade, nada mais. Não é garantia de nada. Nada mesmo.
Existem promessas mirabolantes, de 15% ao mês, o que seria equivalente a 435% ao ano.
Caso invista R$ 10 mil a 15% ao mês, ao final do primeiro ano, seu patrimônio será de R$ 53,5 mil. No segundo ano, os seus R$ 10 mil já teriam virado R$ 286,2 mil, e ao final do quinto ano, essa pessoa teria mais de R$ 43 milhões.
Nem Alice no país das maravilhas conseguiria um retorno como esse!
Voltando à pirâmide, saiba, acredite, ela não vai te pagar. Seu dinheiro vai embora.
Se ainda não ficou claro o que é uma pirâmide, vou lhe apresentar algumas características;
Ø Obrigação de injetar valores expressivos a título de pagamento ou investimento, sem contrapartida, ou seja, sem que um produto seja entregue.
Ø Não há trabalho de venda ou revenda, apenas indicações de dinheiro novo.
Ø Promessas de ganhos exorbitantes.
Ø Ninguém comenta sobre riscos, somente certezas.
Ø As pirâmides se identifcam pela inexistência de produto ou por produto com valores bem acima de mercado e poucas ou nenhuma informação sobre a empresa e sobre o produto.
Dito isso, fico na obrigação e explicar qual a diferença entre pirâmide financeira e Marketing multinível.
O Marketing multinível é uma prática permitida pois consiste no recrutamento de pessoas para revenderem produtos que tem demanda popular, roupas, cosméticos, itens para carros, entre tantos outros.
Já a pirâmide consiste em indicar pessoas que paguem pela entrada e em geral sem receber qualquer produto, só a promessa de lucros exorbitantes.
Porque as pessoas entram em pirâmides financeiras? você deve estar se perguntando!
A Bíblia na carta de Tiago, dá uma resposta completa e contundente;
Mas cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz; Tiago 1:14.
O desejo de ficar rico rapidamente não se importando com as consequências faz isso.
“Antes de colocar o dinheiro no saco, verifica se não tem buraco”.
A sedução do dinheiro fácil e abundante faz com que incautos vendam suas casas, torrem suas economias, se endividem para entrar nessas latadas.
Dinheiro é escasso, valioso e difícil. Não vai cair do céu! Cuidado, pesquise na internet sobre “vítimas” de pirâmides.
Algumas pirâmides ficaram bem conhecidas, Avestruz Master, Pirâmide do Boi, Telexfree, bbom, por terem feito muitas vítimas, mas existem milhares espalhadas perpetrando golpes diariamente.
Parece que não existe crise pra estupidez humana!
Outra pergunta que pode permear a mente do leitor é se é crime a prática da pirâmide financeira, saiba que é, e conheça quais são eles agora.
1- A Lei nº 7.492/1986 define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional:
Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio:
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
2- A Lei nº 1.521/1951 que trata dos Crimes contra a Economia Popular diz;
Art. 2º São crimes desta natureza:
IX - obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes).
3. A Lei nº 6.385/1976 trata dos Crimes contra o Mercado de Capitais, informa;
Art. 27-E. Atuar, ainda que a título gratuito, no mercado de valores mobiliários, como instituição integrante do sistema de distribuição, administrador de carteira coletiva ou individual, agente autônomo de investimento, auditor independente, analista de valores mobiliários, agente fiduciário ou exercer qualquer cargo, profissão, atividade ou função, sem estar, para esse fim, autorizado ou registrado junto à autoridade administrativa competente, quando exigido por lei ou regulamento:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
4. A Lei nº 8.137/1990 que trata dos Crimes contra a Ordem Econômica fala:
VII - induzir o consumidor ou usuário a erro, por via de indicação ou afrmação falsa ou enganosa sobre a natureza, qualidade do bem ou serviço, utilizando-se de qualquer meio, inclusive a veiculação ou divulgação publicitária; [...]
Pena - detenção, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ou multa.
6- Estelionato do Código Penal.
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis.
Fui vítima da pirâmide financeira o que eu devo fazer? Essa descoberta geralmente vem tarde, é como o paciente que descobre o câncer em estágio terminal.
Mas, o conselho é que antes mesmo de ir à delegacia, vá ao advogado e o contrate para promover uma ação adequada a urgência do caso para tentar um bloqueio de bens e valores dos golpistas.
Saiba a grande maioria não irá receber, porque no geral eles já torraram a grana, mas existe e possibilidade de haver bens, como no caso da Avestruz Master que possuía diversos e os primeiros a entrarem com ação, receberam.
Digo para procurar primeiro o advogado, porque ele irá direto ao juiz, coisa que o delegado poderá fazer ao final do inquérito em geral, e isso vai demorar muito.
Caso você esteja em uma pirâmide e está buscando receber, saiba que a cascata já começou, muitos estão na mesma, quem acionar a justiça primeiro pode obter vantagens.
Caso você não acredite no que eu estou dizendo, tente receber amigavelmente, e entre na fila.
Agora que você já sabe o que é uma pirâmide financeira, fique atento! Quer investir? empreenda um negócio ou vá para a bolsa de valores e repita comigo, não existe dinheiro fácil.
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Dr. Rafael Rocha